¿Qué es un furúnculo? Es la infección de un folículo piloso.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Dissertações

Conseguem imaginar alguma coisa pior do que partilhar um reles corta-unhas? Imaginar que os outros cortaram os cantos gigantescos das unhas grandes do pé com o mesmo corta-unhas que vamos usar. Mas pior é cortar as unhas das mãos com um corta-unhas usado por outra pessoa para cortar as dos pés. É interacção semi-erótica desfasada no tempo. “Eu dei-lhe uma massagem aos pés”. Não foi bem isso mas cortei as unhas das mãos com o corta-unhas que ela usou nos pés. Isto na rara possibilidade de eu alguma vez ter acesso a esse corta-unhas. É quase tão mau como partilhar uma escova de dentes. Se bem que partilhar uma escova de dentes com uma gaja muito boa até poderá ser um pouco erótico. Agora com um corta-unhas? NUNCA! Nem que a gaja tem umas mamas tão grandes que ocupem um jacuzzi! Nem que vos sugue o mastro 10 vezes ao dia! NUNCA! Partilhar corta-unhas é mesmo bater no fundo...
Outra coisa que reparo é que hoje em dia já ninguém diz que tem "um primo na França". Antigamente era motivo de orgulho ter um primo que trabalhasse "na" França. Quer dizer, apesar de esse primo ser talhante ou até varredor de ruas, era uma coisa "de bem". De gente fina! "Na França tu trabalhas mas tu tens "óh"!", "Lá não é como cá. Lá trabalha-se!"... Não se recordam destes comentários?
E lá vinham eles; todos contentes, no seus "Renaults Safranes" passar o verão à terrinha. Entretanto esses primos cresceram e agora têm filhos que nem sabem falar português. Agora já não é muito fino ter "primos na França". O que está a dar é ter alguém na família ou alguém conhecido que tenha um câncro. Aliás "câncaro"... Digamos que o "câncaro" é o novo primo da França.
Resumindo, toda a gente que importa conhece alguém que tenha cancro. Claro que o cancro não vem passar férias a Portugal em Renault Safrane. Muito menos tem acidentes na estrada. Limita a pegar-se pelo cu e a alojar-se no cólon. A meter-se no estômago desde que "eles" inventaram que agora se deve comer vegetais. Nos pulmões quando os lóbis dos chupa-chupas inventaram que fumar faz cancro. Eu cá só deixo de fumar quando ficar sem dedos para segurar o cigarro.

F.M.

sábado, fevereiro 10, 2007

E você, já fez o seu aborto hoje?

Circulava eu relaxadamente na via pública, entretido a fazer slalom entre variados tipos de dejectos que pejavam o pavimento quando, subitamente algo capta o meu olhar! Um cartaz preto com umas letras cor de rosa que dizia: "Contribuir com os meus impostos para financiar clínicas de aborto? Não obrigada".
Fiquei lívido... Não queria acreditar que se iam começar a pagar impostos em Portugal. Tornei-me imediatamente um ferrenho defensor do "Não".
Ainda nesse mesmo dia, ao continuar a minha caminhada, as minhas convicções mais enraizadas voltaram a cair por terra quando me apercebi que o referendo se referia à despenalização do aborto... Um grupo de senhores de casacos coçados apressou-se a esclarecer-me que votando "Não" estaria a condenar centenas de mulheres à prática de abortos sem as mínimas condições de higiene, condenando-as à exclusão social, ao cumprimento de uma pena injusta ou até mesmo à sua morte!
"Caramba... realmente não desejo isso a ninguém, excepto ao joaquim monchique, mas ouvi dizer que ele não tem útero...", pensei. "A partir de agora voto Sim!".
Satisfeito com as minhas novas convicções continuei o meu caminho (até porque ja estava atrasado), cantarolando como tudo será muito melhor uma vez consumada a vitória do "Sim".
Fui então novamente interceptado. Duas senhoras que amavelmente ofereciam brochuras que incitavam à castidade*, iniciaram um discurso inflamado, apelando à minha herança cristã e afirmando repetidamente a sua posição pró-vida. Não pude ficar indiferente. Realmente não me parecia sensato estar do lado contrário dos defensores da vida... Pela lógica booleana isso deveria significar que eu estaria do lado anti-vida ou pró-morte caso votasse "Sim".
Tudo me pareceu muito confuso. Continuei uma vez mais o meu caminho (chegar a casa a tempo de ver a Oprah parecia agora realmente impossível..), pontapeando as pequenas pedritas que se encontrava, tentando fazer com que descrevessem trajectórias elipsóides...
"Ainda bem que não me recenseei...", lembrei-me aliviado, "fica para o ano!". JMP
*Gostaria de chamar agora a atenção ao caro leitor para a ironia da expressão "brochuras que incitavam à castidade". Tentei portanto animar este post com nada mais do que um trocadilho forçado e brejeiro, que não almeja mais do que um simples esgar da parte de quem nele tropeça.